porque eu sempre fui de mudar mais do que o normal:

The Rosewood Thieves, julho de 2009.
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Mas não antes de assistir isso com meus próprios olhos:
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Porque existem certas bandas que podem cantar sobre amor. Do jeito que elas quiseram, o tanto que elas quiserem.
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15 de julho, Toronto.
Você acredita em retornos? Sempre fiquei em cima do muro quando o assunto é bandas que juntam alguns membros originais, que na maioria das vezes não incluem as figuras mais importantes. Dá pra citar o Creedence sem John Forgety, que eu vi em Belo Horizonte a alguns anos atrás e foi… hmm… divertido. Mas minha situação em outra quarta-feira de show delícia era bem diferente: o The Zombies, banda formada na Inglaterra a 48 anos atrás, contava com suas duas peças chaves: Rod Argent no piano e a voz incomparável de Colin Blunstone (e na hora fui descobrir que o baixista, Jim Rodford, tocou no Kinks por 20 anos)
Novamente eu me encontrava no perfeito The Mod Club, que estava completamente abarrotado de roqueiros de duas gerações atrás. A primeira coisa que fiquei pensando foi quantos daqueles tiozinhos roqueiros estavam no Toronto Rock and Roll Revival, festival que resultou em um disco ao vivo de John Lennon (com Eric Clapton nas guitarras) chamado Live Peace in Toronto 1969. Um cara simpático fez a abertura, lembrava George Harrinson solo. Lembrava tanto que tocou uma dele no final. Novamente não peguei o nome, mas também não vou morrer por isso.
Me posicionei literalmente na frente: sem forças de expressão ou língua de pescador, eu coloquei meu copo descançando em cima do palco de tão próximo. Depois de um atraso mínimo a música ambiente some. Tios, tias e as belíssimas sobrinhas começam a ficar eufóricos. Eles começam, perfeitos, o som aveludado como um velho vinil. O The Zombies é antes de tudo uma banda charmosa, e isso se mantém intacto. Colin Blunstone é um velinho branquelo inglês que tem voz, swing e soul do Harlem. Sem movimentos muito agressivos, ele balança com seus passos e danças que não saem do lugar e conduz o resto dos rapazes. Um zumbi totalmente vivo que não prescisa provar mais nada para ninguém, e que deixa transparecer que aquilo tudo lhe deixa feliz. Logo depois de “I Love You”, “Can’t nobody love you” ganhou o jogo. Foi como marcar 2 gols em 6 minutos de jogo. O show é completamente paralizante e não dá vontade nem de piscar. O tecladista Rod Argent assume as falas, anuncia as músicas, fala de como o Fleet Foxes e Dave Grohl gostam do The Zombies e que de repente todo mundo começou a falar de um disco que eles gravaram a 42 anos atrás (Odessey&Oracle, considerado por críticos como um dos melhores dos anos 60) e toca duas músicas do próximo disco (!). Todos os clássicos estavam lá: “A Rose for Emily” e “Care Of Cell 44″ são ovacionadas. Mas a casa caiu mesmo quando “She’s No There” e “Time of The Season” foram cantandas e dançadas com a mesma energia pela banda e pelo público
No final nada mais apropriado que “God Gave Rock and Roll To You”. Voltam felizes da vida para tocar “a primeiríssima gravação que fizemos, uma bem calminha, acho que vocês conhecem”. “Summertime” é executada sublimimente, definindo tudo: a banda mais elegante da história do rock. Perfeito.
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11 de Julho, Toronto.
Ok. Existem diversas maneiras de contar sobre um show: você pode se ater a detalhes do set-list, a reação do público, a presença do artista no momento ou qualquer outra coisa. Mas não quero contar sobre um show aqui, quero contar sobre algumas inacreditáveis horas que vivi no último sábado.
O Rosewood Thieves apareceu na minha vida a uns 3 anos atrás, e desde então escuto toda semana, é uma daquelas bandas que quando você vai fazer uma limpa no seu mp3 player, você simplesmente não consegue deletar. Assistir a um show deles era uma coisa que nem passava pela minha cabeça por questões geográficas mais do que óbvias.
Cheguei no Sneaky Dee’s (pub em baixo/palco pra bandas em cima) bem mais cedo do que os shows estavam previstos, fui dar uma volta. Quando voltei, tinha uma movimentação mínima na porta, parou a van dos Thieves e eles começaram a descarregar toda aquela tralha sozinhos.
Resolvi entrar e percebi que só tinha eu no lugar. O ingresso, 7 dólares para ver 3 bandas, era o preço de uma Heineken no show do JET. Depois de um tempo não aguentei: fui lá conversar com o pessoal da banda, contei que era do Brasil, entreguei um cd do Radiotape. O Will, baterista substituto deles, na mesma hora me entregou o gravador portátil pra eu operar durante o show e me prometeu me enviar o áudio de presente depois.
Passaram as duas bandas locais (a primeira legal e a segunda não) e eles foram tocar. Nesse momento tinham 16 pessoas no lugar (contando com o barman) e apenas eu em pé na frente do palco, assistindo 1 hora de uma das minhas bandas favoritas, não acreditando naquilo tudo. Fiquei quase que imóvel, tirando algumas fotos mas largando a câmera logo depois pra não perder nenhum detalhe. São impecáveis no palco. A voz do Eric (uma mistura de John Lennon e Bob Dylan) soa ainda mais sincera ao vivo. A formação sem violões daquela noite deixou a veia soul da banda nos mais altos níveis, coisa que já rendeu elogios do soulman Solomon Burke (eles gravaram um ep de covers dele, e o próprio em uma carta presente no encarte disse “I tought the Rolling Stones did me a favor but you have taken it to another level.”)
Anunciaram que aquela seria a última, eu solitário gritei “Junkyard Julie!” e meio desconcertado escutei um “i can do this for you”. Após o fim da minha canção favorita, solitário como eles, procurei alguém próximo, olhei e disse “amazing!”. Um cara simpático, com seus 40 anos e acompanhado de sua esposa me disse “I know, i drove 6 hours to see this”.
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6 de julho, Toronto.

Sim, eu estava bem perto.
Antes mesmo de viajar, eu já sabia que o The Mod Club seria o lugar mais incrível do mundo para assistir um show como o do Jet. Duas linhas de metrô e uma caminhada de uns 20 minutos pela agradável região de Little Italy em Toronto e eu cheguei para encontrar o André, um brazilian friend. Rolou um desencontro e um desespero básico mas deu tudo certo e entramos. O lugar abria as 7, e é engraçado, porque o sol fica de pé até as 10, muito estranho entrar em um club com o sol no céu.
Os caras estavam bem animados (tocaram até um pedacinho de Billie Jean) porque era aniversário do vocalista Nic Cester, que fez algumas piadinhas com o fato, ganhou bebidas da platéia, que também cantou um happy birthday no intervalo de uma troca de guitarras. “Look What You’ve Done” foi cantada em coro, assim como “Are You Gonna Be My Girl”. Gostei de escutar as músicas do segundo disco também, eles estavam bem felizes e entrosados. No final, com “Cold Hard Bitch’, apenas a banda segurando, Nick largou a guitarra, desceu do palco, passou no meio da platéia e subiu em cima do bar, incrível!
A conclusão óbvia que eu e o André chegamos no final é que é muito difícil bandas fazerem melhor que o Jet no palco. A minha conclusão óbvia é que simplesmente não dá pra escrever um texto bom sobre esse show, simplesmente não dá.
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A partir de agora esse blog toma um outro rumo, mais precisamente para o norte. Domingo chego em Toronto, Canadá, para um breve e intenso verão. Nos planos estão shows das top 3 bandas da minha adolescência, uma do top 6 atual, o Jack White na bateria, a melhor banda norte-americana depois do Wilco e mais alguns outros não menos divertidos. Espero que eu possa concretizar os planos e ir contando tudo por aqui!
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Às vezes eu penso que eu deveria escrever mais e postar menos vídeos por aqui, mas essa idéia vai pro ralo quando vejo coisas assim. Comentar qualquer coisa é falta de respeito.
Hyde Park, Londres, semana passada.
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Três dias depois já assistimos todos os vídeos do rei do pop existentes nos canais de tv e no youtube. Minha homenagem vem na forma deste belo cover que KT Tunstall apresentou certa vez em um canal francês para o clássico do Jackson Five.
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