11 de Julho, Toronto.
Ok. Existem diversas maneiras de contar sobre um show: você pode se ater a detalhes do set-list, a reação do público, a presença do artista no momento ou qualquer outra coisa. Mas não quero contar sobre um show aqui, quero contar sobre algumas inacreditáveis horas que vivi no último sábado.
O Rosewood Thieves apareceu na minha vida a uns 3 anos atrás, e desde então escuto toda semana, é uma daquelas bandas que quando você vai fazer uma limpa no seu mp3 player, você simplesmente não consegue deletar. Assistir a um show deles era uma coisa que nem passava pela minha cabeça por questões geográficas mais do que óbvias.
Cheguei no Sneaky Dee’s (pub em baixo/palco pra bandas em cima) bem mais cedo do que os shows estavam previstos, fui dar uma volta. Quando voltei, tinha uma movimentação mínima na porta, parou a van dos Thieves e eles começaram a descarregar toda aquela tralha sozinhos.
Resolvi entrar e percebi que só tinha eu no lugar. O ingresso, 7 dólares para ver 3 bandas, era o preço de uma Heineken no show do JET. Depois de um tempo não aguentei: fui lá conversar com o pessoal da banda, contei que era do Brasil, entreguei um cd do Radiotape. O Will, baterista substituto deles, na mesma hora me entregou o gravador portátil pra eu operar durante o show e me prometeu me enviar o áudio de presente depois.
Passaram as duas bandas locais (a primeira legal e a segunda não) e eles foram tocar. Nesse momento tinham 16 pessoas no lugar (contando com o barman) e apenas eu em pé na frente do palco, assistindo 1 hora de uma das minhas bandas favoritas, não acreditando naquilo tudo. Fiquei quase que imóvel, tirando algumas fotos mas largando a câmera logo depois pra não perder nenhum detalhe. São impecáveis no palco. A voz do Eric (uma mistura de John Lennon e Bob Dylan) soa ainda mais sincera ao vivo. A formação sem violões daquela noite deixou a veia soul da banda nos mais altos níveis, coisa que já rendeu elogios do soulman Solomon Burke (eles gravaram um ep de covers dele, e o próprio em uma carta presente no encarte disse “I tought the Rolling Stones did me a favor but you have taken it to another level.”)
Anunciaram que aquela seria a última, eu solitário gritei “Junkyard Julie!” e meio desconcertado escutei um “i can do this for you”. Após o fim da minha canção favorita, solitário como eles, procurei alguém próximo, olhei e disse “amazing!”. Um cara simpático, com seus 40 anos e acompanhado de sua esposa me disse “I know, i drove 6 hours to see this”.



Que doido!!!! Sensacional.
Ual.
Que orgasmo musical.
Com o fim do Oasis, essa banda me apareceu em boa hora.
Thx pela historia.