15 de julho, Toronto.
Você acredita em retornos? Sempre fiquei em cima do muro quando o assunto é bandas que juntam alguns membros originais, que na maioria das vezes não incluem as figuras mais importantes. Dá pra citar o Creedence sem John Forgety, que eu vi em Belo Horizonte a alguns anos atrás e foi… hmm… divertido. Mas minha situação em outra quarta-feira de show delícia era bem diferente: o The Zombies, banda formada na Inglaterra a 48 anos atrás, contava com suas duas peças chaves: Rod Argent no piano e a voz incomparável de Colin Blunstone (e na hora fui descobrir que o baixista, Jim Rodford, tocou no Kinks por 20 anos)
Novamente eu me encontrava no perfeito The Mod Club, que estava completamente abarrotado de roqueiros de duas gerações atrás. A primeira coisa que fiquei pensando foi quantos daqueles tiozinhos roqueiros estavam no Toronto Rock and Roll Revival, festival que resultou em um disco ao vivo de John Lennon (com Eric Clapton nas guitarras) chamado Live Peace in Toronto 1969. Um cara simpático fez a abertura, lembrava George Harrinson solo. Lembrava tanto que tocou uma dele no final. Novamente não peguei o nome, mas também não vou morrer por isso.
Me posicionei literalmente na frente: sem forças de expressão ou língua de pescador, eu coloquei meu copo descançando em cima do palco de tão próximo. Depois de um atraso mínimo a música ambiente some. Tios, tias e as belíssimas sobrinhas começam a ficar eufóricos. Eles começam, perfeitos, o som aveludado como um velho vinil. O The Zombies é antes de tudo uma banda charmosa, e isso se mantém intacto. Colin Blunstone é um velinho branquelo inglês que tem voz, swing e soul do Harlem. Sem movimentos muito agressivos, ele balança com seus passos e danças que não saem do lugar e conduz o resto dos rapazes. Um zumbi totalmente vivo que não prescisa provar mais nada para ninguém, e que deixa transparecer que aquilo tudo lhe deixa feliz. Logo depois de “I Love You”, “Can’t nobody love you” ganhou o jogo. Foi como marcar 2 gols em 6 minutos de jogo. O show é completamente paralizante e não dá vontade nem de piscar. O tecladista Rod Argent assume as falas, anuncia as músicas, fala de como o Fleet Foxes e Dave Grohl gostam do The Zombies e que de repente todo mundo começou a falar de um disco que eles gravaram a 42 anos atrás (Odessey&Oracle, considerado por críticos como um dos melhores dos anos 60) e toca duas músicas do próximo disco (!). Todos os clássicos estavam lá: “A Rose for Emily” e “Care Of Cell 44″ são ovacionadas. Mas a casa caiu mesmo quando “She’s No There” e “Time of The Season” foram cantandas e dançadas com a mesma energia pela banda e pelo público
No final nada mais apropriado que “God Gave Rock and Roll To You”. Voltam felizes da vida para tocar “a primeiríssima gravação que fizemos, uma bem calminha, acho que vocês conhecem”. “Summertime” é executada sublimimente, definindo tudo: a banda mais elegante da história do rock. Perfeito.



pode parecer uma coincidência meio boboca, mas eu comprei zombieheaven quando estava no canada. eles tocaram tell her no? colin blunstone e rod argent estão caminhando para 65 anos.. espero ter a chance de vê-los ao vivo. curto a banda ha tantos anos..